
“Primeiro diga a si mesmo o que você seria; então faça o que você tem que fazer.” – Epicteto.

Ser.
Ser alguém que goste de manter o silêncio no olhar enquanto flerta com a boca de quem se deseja.
Ser alguém que decifre o momento oportuno para penetrar o silêncio sem que o som se torne ensurdecedor.
Ser alguém que goste de ver a vida com olhar paciente e ao mesmo tempo tenha pressa de viver.
Ser alguém que discuta rindo e clame desculpas pelo erro.
Ser alguém que aprenda com humildade e vença com o esforço.
Ser alguém que caminhe por aí com a vontade de nutrir sorrisos alheios.
Alguém que conquiste para compartilhar.
Ser alguém adepto do bom senso e às vezes abandoná-lo na primeira oportunidade por uma loucura momentânea e bonita.
Se vestir de momentos, se despir de passados.
Ser alguém que contemple o presente sem perder o entusiasmo do sonho que só o futuro dá.
Ser apaixonado pela vida e se entristecer pela mesma.
Ser alguém que entenda que não há sentido algum na vida, mas que só ela te permite sentir essa falta.
Ser alguém que saiba o momento certo de encher o segundo copo de vinho vazio de quem se gosta.
Ser alguém que ria de si mesmo.
Alguém que abrace o questionamento
E conquiste a resposta com um beijo apaixonado.
Ser alguém que fique feliz com o sorriso alheio sem saber do motivo.
Ser alguém que entenda que ser é simples demais.
Laura Werneck
Mistérios
Tudo ao meu entorno é nu.
Completamente abstrato,
Feito de negações absurdas,
Eu me divido em cansaço e inquietude.
Torço para que o meu corpo tenha a complacência de ter o conhecimento dos mistérios da vida. Por vezes a alma amolece e o corpo reluta em lhe acompanhar.
Essas neuroses da vida simples e cotidianas me aborrecem por vezes.
Essas coisas vagueiam por aí no no meio
da superfície da minha consciência de forma abrupta. Às vezes tudo se transforma em várias imagens de um colorido poético e involuntário. E daí me afastam a atenção e tudo que eu vejo é um espetáculo sem ruídos e aplausos. Não há aplausos, porque simplesmente não existem finais.
Laura Werneck.
Cura.
Quando algo nos toca
as palavras gritam
os significados explodem
feito soco no peito
nos derruba sem chance
de defesa e por fora
há silêncio
ninguém percebe seu
arrebatamento
ninguém vê que asfixia
e envenena
cabe a nós
entender e sarar nossa
própria dor.
Desconheço melhor
forma de ter paz do que
sermos nossa própria
cura.
Laura Werneck
Ela.
(...)
Pele branca feito mármore esculpido. Personalidade que me assustava e ao mesmo tempo me fazia lhe desejar mais e mais. Eu não sei o que ela sentia. O eu não sei o que ela queria. Era Dona de um ego que lhe tragava feito cigarro, trazia dores que nem mesmo ela entendia. Carregava desafetos e traições que já faziam parte dela. Desafetos esses que lhe sufocava até mesmo no seu momento mais alegre. Era a dor do seu passado que virara um fardo ao planejar o seu futuro comigo. E cada pisada para o amor verdadeiro ela se desviava. Sua atenção não era para mim mas sim para a dor que carregava no seu coração. Era em vão tentar lhe estender a mão. Me perguntei se lhe desse meu coração por inteiro ela cuidaria bem. Não nego a reciprocidade no amor aqui. Houve amor. Mas não houve calma. E o amor, menina, precisa de calma, precisa de alma...
Laura Werneck