Sentença do am@r.
- laurawerneckmoura

- 4 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de mai. de 2020
Não me cabe enumerar ou tentar categorizar o amor. Mas sim encontrar nele a doçura. Amamos por amar em estado de graça, é um caso que, excepcionalmente, o que importa é vivê-lo do que tentar entendê-lo. É engraçado, chamamos a quem exacerba o amor de intenso. Ora, talvez seja apenas um ser amante ,um amador iluminado. Por tédio talvez esse indivíduo queime dicionários, regulamentos, talvez também ele conteste a lei da física ou se rebele contra as leis dos homens, pra ele o “amor é dado de graça, é semeado no vento, no mar, no eclipse lunar ou num pôr do sol”. Talvez isso tudo seja uma tentativa para encontrar o que se conjuga em um só momento em nós e nos outros. Afastemo-nos de amores gris, paremos de cultivar em terras inférteis, por que buscamos regar flores em terras secas? queremos suspirar e viver para ver as raízes crescendo. Afinal o que seríamos além de criaturas que amam ? Amam e esquecem? Amam e desamam? Amam cegamente, amam racionalmente.
Músicas serão ecoadas, hinos serão criados para aqueles que forem destemidos, para aqueles que vençam o medo, o horror, o desamparo. Porque por mais que tentem matar, cada instante de amor é sagrado, infinitamente sagrado. Por isso queremos ampliar instantes, estender momentos, fazê-los perdurar, retornar e repetir sua potência de existir. Fugaz, íntimo e efémero. Dar sentido no não sentido, o infelizmente ressentido, o mais leve dos pesos. A razão de ser e de viver é o trampolim para o mistério, é um mergulho para o inusitado, é um resgate ao desconhecido. Seríamos capazes de amar o inóspito? O áspero? E muita das vezes, o proibido? Sem ponderações, indelicadamente sem ausência de desmesura? Ora, pergunto eu: o que pode, o ser amoroso, solitário em eterna rotação universal, senão rodar feito pião e amar?
Ora, pergunto eu: o que pode, o ser amoroso, solitário em eterna rotação universal, senão rodar feito pião e amar?
Deveríamos ser todos filósofos, poetas, lunáticos presos à vida e a seus mistérios. Os melancólicos que abracem seu mundo caduco e cantem o futuro flertando com o passado, renegando a beleza do presente! Os reacionário que se rasguem por dentro com suas amargas tristezas por renegar sua própria verdade. O presente é dádiva dos livres, dos loucos, dos aventureiros, dos rebeldes, dos anormais, dos estranhos! Suspeito que são estes que pulem em direção ao abismo e que criem asas para chegar ao outro lado. São esses que alcançam a verdadeira divindade . Não nos afastemos, jamais do presente. Vamos caminhar juntos, cada um com seu jeito de amar, suas particularidades, cada um procurando companhia em meio a outras. Existem tantas e tão diversas. Vamos em frente, sem entorpecentes, ou cartas suicidas, sem bombas terroristas, sem gritos de guerra ou lamentos de dor.
Fazer da mesmice uma novidade, fazer da matéria concreta um abstrato divino. Uma razão para estar e viver. Olhar com escândalo e desatino, consentir sentindo. “Este o nosso destino: amar sem conta”.

Baseado em poemas de Carlos Drummond de Andrade.
Laura Werneck.




Comentários